Os bastidores da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) enfrentam forte turbulência devido a duas movimentações de impacto que prometem reconfigurar as forças políticas para as eleições municipais deste ano. A primeira delas é uma denúncia anônima protocolada diretamente na Corregedoria da Casa de Leis. A acusação aponta que um parlamentar da base governista opera um esquema de "rachadinha", com devolução compulsória de salários de assessores, em seu gabinete.
O esquema envolve a suspeita de fraudes fiscais e teria movimentado mais de R$ 150 mil nos últimos meses. Deputados da oposição articulam nos corredores o pedido de abertura de uma comissão especial de investigação, o que acendeu o sinal de alerta no Palácio Anchieta, que tenta conter os danos à imagem da base.
Paralelamente à crise na Corregedoria, as articulações para o fechamento de chapas rumo às convenções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precipitaram conversas para migrações partidárias imediatas dentro do plenário. Três deputados estaduais negociam a troca de legenda nesta tarde para disputar prefeituras em municípios considerados estratégicos, como Castelo e Domingos Martins, cidade que abriga o circuito turístico de Pedra Azul. O objetivo é assumir o comando de diretórios locais e assegurar fatias maiores do fundo partidário.
Os nomes dos parlamentares são mantidos em sigilo estratégico pelas lideranças partidárias. A confidencialidade é uma blindagem necessária para evitar retaliações políticas do governo do estado e impedir o rompimento precoce de pontes com as atuais legendas antes que as novas filiações estejam juridicamente assinadas. A pressa para as acomodações aumentou após a divulgação da recente Pesquisa Quaest, que apontou 77% de aprovação ao governo capixaba, acirrando a disputa entre aliados pelo controle dos palanques no interior.
Analistas políticos alertam que a combinação de denúncia financeira e o racha velado na base deve travar a pauta de votações da Ales nas próximas semanas, limitando os trabalhos a projetos consensuais. Sob a presidência do deputado Marcelo Santos (União), a Mesa Diretora informou que as representações seguirão os ritos regimentais da Casa de Leis. Cientistas políticos avaliam que o momento exigirá cautela do governo, já que a liberação de emendas e o controle dos diretórios passarão a ser as principais moedas de troca para tentar conter a crise interna e manter a unidade da base aliada.
Fonte: Assembleia Legislativa do ES, Tribunal Superior Eleitoral e Revista ES Brasil.





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