O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um, tem ganhado destaque no Congresso e na mídia. Mas, embora seja apresentada por alguns como avanço social, análises econômicas mostram que a mudança pode trazer consequências negativas para o mercado de trabalho e a economia brasileira.
Um estudo recente divulgado pela Exame com base em projeções do economista Daniel Duque e do Centro de Liderança Pública (CLP) indica que a alteração da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução proporcional de salários pode gerar perdas equivalentes a R$ 88 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e eliminar cerca de 638 mil empregos formais no país.
Segundo a pesquisa, o custo do trabalho por hora aumentaria automaticamente: as empresas teriam de pagar o mesmo salário por menos horas trabalhadas, elevando despesas e reduzindo a capacidade de manter funcionários ou contratar novos. Setores como comércio, construção e transporte seriam os mais afetados pela redução de produção e vagas de trabalho.
Outra análise publicada pelo Estadão reforça essa projeção e alerta que “menos dias trabalhados significam menos produção, mais custos e menos vagas disponíveis”, prejudicando sobretudo trabalhadores que dependem da renda mensal para pagar contas básicas.
Críticos destacam que, sob um modelo rígido de jornada, a economia pode enfrentar uma reação em cadeia: diminuição da produção, menor circulação de dinheiro e até aumento de preços de bens e serviços para compensar custos mais altos.
Se por um lado o discurso político promete mais dignidade ao trabalhador, por outro os dados sugerem que o fim da escala 6x1 pode resultar, paradoxalmente, em menos empregos e menor crescimento econômico, com impacto direto no bolso de quem mais precisa trabalhar para viver.
Fonte: Estadão e Exame





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