A saúde pública de Marechal Floriano enfrenta um período de instabilidade nas últimas semanas em razão do atraso no pagamento de prestadores de serviços médicos por parte da Prefeitura. A situação resultou na paralisação parcial dos atendimentos em diversas especialidades médicas, impactando diretamente a população.
Além da interrupção de atendimentos especializados, profissionais que atuam nas unidades de saúde do município também relataram atraso salarial neste mês de janeiro. O pagamento, que sofreu atraso de seis dias, quase levou à paralisação total dos serviços. Diante do impasse, os profissionais chegaram a se reunir na Casa de Amparo aos Idosos Sou Feliz para discutir uma possível suspensão das atividades. Os salários, no entanto, foram quitados na tarde desta quarta-feira (14).
De acordo com informações apuradas, o pagamento dos médicos está em atraso desde novembro de 2025. O valor referente ao mês de novembro foi pago recentemente pela administração municipal, porém o débito referente a dezembro permanece em aberto com promessa de pagamento até o dia 25 deste mês. Diante dessa sinalização, a Policlínica foi orientada a retomar os atendimentos normais pelos próximos dez dias, de forma provisória, enquanto aguarda o cumprimento do compromisso. Já os médicos especialistas condicionam o retorno das atividades à mudança na forma de remuneração, defendendo que os pagamentos voltem a ser realizados por meio do Consórcio Interfederativo de Saúde (CIS) – Pedra Azul, como ocorria anteriormente, e não mais via organização social, modelo atualmente adotado pelo município.
Somente na segunda-feira (12/01), mais de 200 pessoas deixaram de ser atendidas em razão da suspensão dos serviços especializados. Na terça e na quarta-feiras, outras mais de 40 pessoas procuraram as unidades de saúde em busca de atendimento com especialistas, mas não conseguiram atendimento.
A reportagem do Pedra Azul News tentou contato telefônico com o prefeito do município e com o atual secretário municipal de Saúde, mas não obteve retorno. Posteriormente, a equipe encontrou ambos na Casa de Amparo aos Idosos Sou Feliz, onde tentavam participar de uma reunião com os profissionais da saúde. Questionado sobre os atrasos nos repasses e pagamentos, prefeito e secretário municipal de Saúde atribuíram os atrasos aos recessos e a entraves burocráticos. Ao ser questionado se em anos anteriores os recessos também causaram atrasos, responderam que não.
Paralelamente à crise nos atendimentos, a gestão da saúde do município em 2025 está sob investigação da Câmara Municipal. A comissão oficial de fiscalização e auditoria da Secretaria Municipal de Saúde elaborou relatórios sobre o contrato de gestão firmado entre o Fundo Municipal de Saúde de Marechal Floriano e o Instituto de Apoio ao Meio Ambiente, Saúde e Esportes (IAMASE), com foco na análise da aplicação dos recursos públicos.
Os relatórios apontaram indícios de possíveis irregularidades, incluindo ausência de notas fiscais, adulteração e falsificação de documentos fiscais, além de suspeitas de desvios de recursos públicos estimados em aproximadamente R$ 2,5 milhões.
Diante das irregularidades identificadas no relatório preliminar, a Câmara de Vereadores instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em 27 de novembro de 2025. Atualmente, a comissão encontra-se na fase de oitiva de testemunhas. A primeira pessoa ouvida foi a ex-secretária municipal de Saúde, Maria Arlete Novaes Moraes Silva.
Apesar do cenário, a Prefeitura informou que os atendimentos de urgência e emergência, pediatria e clínica geral continuam sendo realizados no município. No entanto, algumas especialidades médicas permanecem com atendimento suspenso.





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