Um estudo internacional divulgado em agosto de 2025 pela Cambridge University Press estima que entre 50,6 e 61,6 milhões de brasileiros, cerca de 26% da população, vivem em áreas dominadas por facções criminosas e milícias. Nessas regiões, os grupos impõem regras próprias e exercem forte influência sobre a vida cotidiana dos moradores, tornando o Brasil o país com maior índice de controle territorial por organizações criminosas na América Latina.
A pesquisa, conduzida por quatro especialistas norte-americanos, utilizou dados do Latinobarómetro 2020, levantamento que cobre 18 países da região. O levantamento aponta que, em toda a América Latina, aproximadamente 77 a 101 milhões de pessoas (14% da população) convivem sob o que os pesquisadores classificam como “governança criminal”.
O Brasil aparece no topo do ranking, à frente de nações como Costa Rica (13%), Honduras (11%) e Colômbia (9%). O fenômeno não se limita à imposição de regras: em muitos locais, as facções estabelecem códigos de convivência, aplicam sanções, oferecem serviços substitutos e restringem a presença do Estado.
De acordo com Benjamin Lessing, professor da Universidade de Chicago e coautor do estudo, o fortalecimento de grupos como o PCC e o Comando Vermelho ocorreu mesmo em estados com instituições consolidadas, como São Paulo e Rio de Janeiro. Ele ressalta que políticas de repressão intensiva e encarceramento em massa acabaram contribuindo para a expansão dessas organizações.
A divulgação do levantamento reacende o debate sobre segurança pública e evidencia a necessidade de estratégias que combinem presença estatal, políticas sociais e articulação institucional para enfraquecer o poder do crime em territórios brasileiros.