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Política

Rogério Marinho desafia Alcolumbre: oposição terá votos para mudar o Senado?

Anistia e fiscalização do STF entram na disputa; divisão da direita ameaça unificação dos votos.

Redação Pedra Azul News

05/11/2026 - 00:00:00 | Atualizada em 04/11/2026 - 17:18:20

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Imagem: Wesley Oliveira/Gazeta do Povo

O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à Presidência do Senado Federal. Atual líder da oposição, o parlamentar pretende enfrentar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca permanecer no comando da Casa com o apoio de partidos do Centrão e da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão foi anunciada em Brasília, após reunião de integrantes da legenda, e representa uma nova tentativa de Marinho de assumir o posto. Em 2023, ele disputou a presidência contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas foi derrotado por 49 votos a 32.

Segundo a Revista Oeste, Marinho apresentou sua candidatura como uma oportunidade de fortalecer a atuação do Senado, ampliar o espaço da oposição e permitir a votação de assuntos que, segundo ele, não receberam o devido andamento na atual gestão.

Entre suas prioridades estão a discussão sobre a anistia relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023, a defesa das prerrogativas parlamentares e uma atuação mais firme diante de eventuais abusos cometidos por autoridades de outros poderes.

Mas a candidatura levanta uma questão decisiva: a oposição conseguirá transformar o crescimento de sua bancada em resultados concretos ou encontrará dificuldades semelhantes às enfrentadas em legislaturas anteriores?

A nova força do PL no Senado

A candidatura ocorre após as eleições de outubro, que ampliaram a representação do PL no Senado Federal.

A Gazeta do Povo informou que Marinho terá o apoio oficial do Novo, partido que contará com três senadores na próxima legislatura.

A composição projetada da bancada do PL varia entre 28 e 29 integrantes nas reportagens consultadas, diante de possíveis mudanças de filiação.

Mesmo com a maior bancada individual, o partido não possui sozinho os 41 votos necessários para eleger o presidente do Senado, composto por 81 parlamentares.

Por isso, a articulação envolve senadores de outras legendas, incluindo PP, Republicanos, MDB, Podemos e PSD.

Durante o lançamento, Marinho afirmou acreditar que reúne apoio suficiente para alcançar a maioria.

Entretanto, a eleição será realizada por voto secreto, em 1º de fevereiro de 2027. Assim, as estimativas apresentadas pelos candidatos não constituem garantia de vitória.

Anistia aos envolvidos no 8 de janeiro entra na disputa

Uma das declarações mais relevantes de Rogério Marinho foi o compromisso de permitir o andamento da proposta de anistia relacionada aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

Segundo O Antagonista, o senador afirmou que pretende utilizar a Presidência do Senado para permitir que o projeto seja apreciado pelos parlamentares.

Marinho também criticou o que considera pressões de outros poderes sobre congressistas e defendeu maior proteção à liberdade de atuação dos representantes eleitos.

A proposta de anistia é uma das principais reivindicações de setores da direita, que questionam a proporcionalidade de determinadas condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

Em contrapartida, críticos da medida argumentam que uma anistia ampla poderia comprometer a responsabilização de pessoas condenadas pela tentativa de ruptura da ordem democrática.

A eleição de Marinho, por si só, não garantiria a aprovação da anistia. O resultado dependeria das regras de tramitação, das votações legislativas e de possíveis questionamentos jurídicos.

Impeachment de ministros do STF: promessa ou prioridade?

Outro ponto importante envolve a fiscalização do Supremo Tribunal Federal.

Durante a campanha eleitoral, integrantes da oposição defenderam a ampliação da bancada de direita no Senado para fortalecer o controle institucional sobre ministros da Corte.

A expectativa inclui maior rigor na análise de indicações presidenciais ao STF e o andamento de pedidos de impeachment por eventuais crimes de responsabilidade.

Entretanto, no lançamento de sua candidatura, Marinho declarou que não pretende transformar o impeachment de ministros na bandeira central de sua campanha.

O senador afirmou que defenderá o cumprimento da Constituição e que não será omisso diante de possíveis crimes de responsabilidade, sem antecipar julgamentos.

Essa posição estabelece uma diferença entre o compromisso de examinar eventuais irregularidades e a promessa de promover afastamentos.

A Constituição atribui ao Senado competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Uma condenação exige o apoio de dois terços dos senadores, ou seja, 54 votos, além da observância do devido processo legal.

A nova Presidência do Senado poderá alterar o tratamento dado a esses pedidos, mas não poderá substituir as exigências jurídicas por decisões exclusivamente políticas.

Os Pingos nos Is questiona divisão da direita

A disputa também recebeu atenção do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan.

Em comentário divulgado no episódio de 3 de novembro, o analista Roberto Motta criticou a existência de candidaturas concorrentes dentro da oposição.

Motta afirmou não enxergar benefício político na divisão de votos entre nomes que pretendem enfrentar Davi Alcolumbre.

O comentário se relaciona diretamente à intenção da senadora Tereza Cristina (PP-MS) de também disputar a Presidência do Senado.

Embora Marinho tenha declarado existir um entendimento para evitar que os dois concorram entre si na votação definitiva, ainda não havia confirmação de retirada formal da candidatura de Tereza Cristina até esta atualização.

A divisão preocupa integrantes da oposição porque poderia favorecer a permanência de Alcolumbre.

Tereza Cristina pode alterar o cenário

Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina mantém articulações para assumir a Presidência do Senado.

A senadora possui relações políticas com diferentes partidos e pretende buscar votos entre integrantes do Centrão e parlamentares que resistem tanto à continuidade de Alcolumbre quanto à candidatura de Marinho.

A Veja destacou que aliados da parlamentar consideram sua capacidade de diálogo um elemento importante para atrair apoios fora do PL.

Segundo reportagem de O Antagonista, uma das possibilidades discutidas nos bastidores seria uma composição entre Marinho e Tereza envolvendo a Presidência do Senado e o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A CCJ possui papel relevante na análise de propostas legislativas e nas indicações para o Supremo Tribunal Federal.

Até o momento, porém, não há acordo definitivo confirmado entre os dois senadores.

Alcolumbre aposta na experiência e no apoio do Centrão

Do outro lado da disputa, Davi Alcolumbre trabalha para permanecer no comando do Senado.

O atual presidente reúne apoio de dirigentes de partidos do Centrão e integrantes da base governista.

Segundo a Jovem Pan, Lula iniciou articulações para organizar sua base parlamentar no próximo mandato, com negociações envolvendo partidos como União Brasil, MDB e PSD.

A continuidade de Alcolumbre é defendida por aliados que valorizam sua experiência na condução da Casa e sua capacidade de negociar com diferentes forças políticas.

Essa posição também envolve o argumento de que uma presidência capaz de dialogar com governo e oposição pode facilitar a tramitação de propostas e reduzir conflitos institucionais.

Os adversários, entretanto, questionam a concentração de poderes na Presidência do Senado e criticam decisões que teriam limitado o andamento de pautas defendidas pela oposição.

O embate representa duas propostas distintas de condução da Casa: uma orientada pela continuidade das negociações já existentes e outra que promete maior participação da oposição na definição da agenda legislativa.

A oposição também enfrenta críticas

A candidatura de Rogério Marinho não é interpretada da mesma forma por todos os setores políticos.

Em reportagem publicada nesta quarta-feira, o Brasil de Fato destacou que o lançamento da candidatura tem como objetivo ampliar o espaço da direita e viabilizar a votação de propostas de anistia.

O veículo apresentou a articulação sob uma perspectiva crítica, considerando a possibilidade de benefícios a pessoas condenadas por participação na tentativa de golpe de Estado.

A divergência evidencia que a disputa não envolve apenas a escolha de um nome para dirigir as sessões.

O resultado poderá influenciar o andamento de propostas de grande impacto político e jurídico, além da relação entre o Congresso, o Executivo e o Judiciário.

O histórico político de Marinho

Rogério Marinho foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte e participou de importantes debates sobre mudanças na legislação trabalhista e previdenciária.

Durante o governo Jair Bolsonaro, ocupou cargos como secretário especial de Previdência e Trabalho e ministro do Desenvolvimento Regional.

Eleito senador em 2022, tornou-se uma das principais lideranças da oposição ao governo Lula.

Em 2026, coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula no segundo turno das eleições de outubro.

Sua trajetória ajuda a explicar a confiança depositada pelo PL em seu nome, mas também revela os desafios de construir alianças fora do próprio campo político.

Em 2025, o PL apoiou a candidatura de Alcolumbre à Presidência do Senado. Agora, a legenda pretende substituí-lo.

Essa mudança constitui mais um elemento a ser acompanhado pelos eleitores: quais compromissos políticos justificaram o apoio anterior e quais resultados a oposição pretende alcançar com a nova candidatura?

O que poderá mudar no Senado em 2027?

A eleição para a Presidência do Senado terá efeitos sobre a organização dos trabalhos legislativos e a relação entre os poderes.

Três pontos merecem acompanhamento:

Definição das pautas: o presidente possui influência sobre a organização da agenda de votações e os encaminhamentos legislativos.

Relação com o STF: o Senado participa da aprovação de indicações para a Corte e possui atribuições constitucionais relacionadas aos processos por crimes de responsabilidade.

Equilíbrio político: o próximo presidente precisará administrar uma Casa com representantes de diferentes partidos, interesses e posições ideológicas.

O fortalecimento eleitoral do PL ampliou sua capacidade de negociação, mas a formação de uma maioria dependerá de alianças e compromissos entre os senadores.

A pergunta que permanece é se Rogério Marinho conseguirá reunir votos suficientes para assumir a Presidência do Senado e transformar suas propostas em resultados, ou se as divisões internas e as negociações partidárias manterão o atual modelo de comando da Casa.

Fontes: Revista Oeste · Gazeta do Povo · O Antagonista · Os Pingos nos Is · Veja · Jovem Pan · Brasil de Fato

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