Os candidatos ao governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB), participaram, na noite de quinta-feira (22), do último debate televisivo antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro, promovido pela TV Gazeta, em Vitória, avançou pela madrugada desta sexta-feira (23) e foi marcado por divergências sobre segurança pública, saúde, educação e economia, além de críticas às trajetórias políticas dos dois concorrentes.
O confronto ocorreu a três dias da votação, marcada para domingo, 25 de outubro, e foi o único debate entre os candidatos realizado durante o segundo turno. Ambos utilizaram o espaço para apresentar resultados de suas administrações, questionar informações do adversário e defender diferentes caminhos para o governo estadual.
Segundo a cobertura da TV Gazeta, a discussão foi dividida em blocos com perguntas livres e temas determinados por sorteio. A dinâmica permitiu que os candidatos abordassem assuntos diretamente relacionados aos serviços públicos e às prioridades da próxima gestão.
Segurança pública concentra as primeiras divergências
A segurança pública dominou a abertura do debate. Pazolini questionou a atuação do governo estadual no enfrentamento às organizações criminosas, citando denúncias sobre cobranças impostas por grupos criminosos a moradores de determinadas comunidades.
O ex-prefeito de Vitória também criticou o efetivo das forças policiais, afirmando que haveria uma deficiência de aproximadamente 2 mil policiais militares no Estado. Ele defendeu a ampliação dos quadros, melhores condições de trabalho e valorização salarial das corporações.
Ricardo Ferraço contestou as críticas e afirmou que o governo tem investido na contratação de profissionais, em equipamentos e em inteligência policial. Durante o encontro, declarou que 8.400 profissionais foram contratados para a segurança pública e destacou indicadores de redução dos homicídios.
Os números foram apresentados pelos próprios candidatos durante o debate e não representam, por si só, uma comparação independente entre as administrações.
Outro ponto de divergência foi a violência contra as mulheres. Pazolini questionou os índices de feminicídio no Espírito Santo, enquanto Ricardo argumentou que a análise desses indicadores precisa considerar a evolução dos registros e a situação dos demais estados do Sudeste.
As discussões evidenciaram diferenças nas prioridades anunciadas pelos candidatos: Pazolini concentrou suas críticas na necessidade de reforço policial e na presença das organizações criminosas; Ricardo defendeu as ações já executadas pelo Estado e a continuidade dos investimentos.
Saúde: filas e atendimento especializado entram em discussão
Na área da saúde, Pazolini afirmou que 417 mil capixabas aguardam consultas, exames ou procedimentos especializados, mencionando esperas que, segundo ele, ultrapassariam 348 dias.
O candidato do Republicanos defendeu a descentralização dos atendimentos, o uso de tecnologia e parcerias com municípios, instituições filantrópicas e prestadores privados para ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ricardo Ferraço apresentou outra abordagem, destacando a ampliação da estrutura hospitalar e a regionalização dos serviços. O governador mencionou investimentos em unidades de saúde de São Mateus, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim e Colatina.
Também citou a oferta de telemedicina e a presença do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nos 78 municípios capixabas.
O governador questionou resultados da administração de Pazolini em Vitória, especialmente em relação à construção de unidades de pronto atendimento. Em resposta, o ex-prefeito defendeu a qualidade da assistência oferecida na capital e sustentou que sua gestão conseguiu reduzir filas.
As declarações sobre quantidade de pacientes, prazos de espera e desempenho das administrações foram utilizadas no confronto eleitoral. A reportagem consultada registra as afirmações, mas não apresenta uma auditoria independente de todos esses indicadores.
Educação e valorização dos servidores
A educação também provocou questionamentos sobre as políticas implementadas no município de Vitória e no governo estadual.
Ricardo criticou o desempenho da educação municipal durante a administração de Pazolini e levantou a discussão sobre descontos previdenciários aplicados aos servidores aposentados da capital.
Pazolini respondeu que Vitória registrou avanços em indicadores educacionais desde 2021 e questionou a remuneração dos professores estaduais, afirmando que o Espírito Santo ocupa a 14ª posição nacional nesse aspecto.
As falas envolveram tanto a qualidade do ensino quanto as condições de trabalho dos profissionais da educação.
O governador defendeu a continuidade das políticas estaduais, enquanto o ex-prefeito procurou destacar resultados que atribui à sua gestão municipal.
Economia, investimentos e reforma tributária
No debate econômico, os candidatos apresentaram posições diferentes sobre atração de empresas, qualificação profissional e impactos da reforma tributária na arrecadação estadual.
Pazolini defendeu maior diálogo com o setor produtivo, previsibilidade para os empresários e ampliação de cursos de qualificação em parceria com os municípios.
Ricardo ressaltou investimentos recebidos pelo Espírito Santo, apresentou dados favoráveis sobre a economia e citou iniciativas de capacitação profissional desenvolvidas pelo governo.
O republicano afirmou que aproximadamente 280 mil capixabas aguardariam oportunidades de qualificação, número apresentado durante a discussão.
Sobre a reforma tributária, Pazolini demonstrou preocupação com possíveis perdas de arrecadação e afirmou que o Estado precisa se preparar para mudanças na distribuição dos tributos.
Ricardo contestou essa possibilidade, argumentando que estudos desenvolvidos pelo governo indicam condições para preservar as receitas estaduais.
A divergência envolveu avaliações sobre os efeitos futuros da reforma. Não foi apresentado, durante o debate, um consenso técnico entre os candidatos sobre o impacto financeiro das mudanças.
Trajetórias políticas se tornam alvo de críticas
Além das propostas administrativas, os dois candidatos concentraram parte do confronto na comparação de suas experiências políticas.
Ricardo Ferraço procurou associar sua candidatura à continuidade das políticas do governo estadual. Em diversas intervenções, questionou se Pazolini teria realizado em Vitória as ações que promete executar em todo o Espírito Santo.
Pazolini, por outro lado, apresentou sua candidatura como alternativa ao grupo político que administra o Estado e criticou a permanência de aliados de Renato Casagrande no comando do Executivo estadual.
O ex-prefeito também questionou a trajetória de Ricardo, que assumiu o governo em abril de 2026, após a saída de Casagrande para disputar uma vaga no Senado.
Ricardo rebateu as críticas defendendo a experiência acumulada em cargos públicos e sua participação nas políticas implementadas pelo governo.
As divergências também envolveram acusações relativas a patrimônio e investigações. Os candidatos fizeram referências a procedimentos policiais e a episódios envolvendo aliados políticos.
Essas afirmações foram contestadas durante o próprio debate. Não há, nas fontes examinadas para esta matéria, documentação suficiente para tratar todas as acusações como fatos comprovados.
Posturas diferentes diante das câmeras
A condução do confronto também chamou a atenção dos jornalistas que acompanharam o evento.
Em análise publicada nesta sexta-feira (23), o colunista A Gazeta — Vitor Vogas, observou diferenças na maneira como os candidatos se posicionaram diante das câmeras e conduziram suas intervenções.
Ricardo movimentou-se pelo estúdio e procurou estabelecer contato visual com o adversário. Pazolini dirigiu boa parte de suas manifestações diretamente às câmeras, falando aos telespectadores.
A coluna também destacou que Ricardo adotou uma postura de maior confronto verbal, enquanto Pazolini concentrou suas manifestações na crítica ao histórico do grupo governista.
Essas observações descrevem a dinâmica do encontro e não permitem, isoladamente, determinar o efeito do debate sobre a escolha dos eleitores.
Em outra análise publicada por A Gazeta — Letícia Gonçalves, registrou a intensidade das críticas, observando que o confronto apresentou poucos elementos novos capazes de modificar substancialmente os argumentos já utilizados pelas campanhas.
Resultado do primeiro turno e decisão nas urnas
A eleição estadual foi encaminhada ao segundo turno após nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos em 4 de outubro.
Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lorenzo Pazolini terminou a primeira votação com 1.048.633 votos, equivalentes a 49,65% dos votos válidos.
Ricardo Ferraço recebeu 719.397 votos, correspondentes a 34,06%.
A diferença registrada no primeiro turno não determina o resultado da nova votação. No domingo, os eleitores escolherão entre os dois candidatos, e será eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.
O que o eleitor precisa saber sobre o segundo turno?
A votação ocorrerá no domingo, 25 de outubro de 2026, quando os capixabas escolherão o próximo governador do Espírito Santo e também participarão do segundo turno da eleição presidencial.
Confira três informações importantes:
1. Horário da votação
As seções eleitorais funcionarão das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Eleitores que estiverem na fila até o encerramento poderão concluir a votação.
2. Documento necessário
O eleitor deve apresentar documento oficial de identificação com foto. O e-Título também pode ser utilizado para identificação quando apresentar fotografia do titular, conforme as orientações da Justiça Eleitoral.
3. Consulta às informações oficiais
Orientações sobre votação, locais de votação e procedimentos eleitorais podem ser consultadas diretamente noTSE — Resultados, e no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo.
A apuração começará após o encerramento da votação, conforme o calendário estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Fontes: A Gazeta — Debate · A Gazeta — Vitor Vogas · A Gazeta — Letícia Gonçalves · TSE — Resultados · TSE — Manual do Eleitor





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