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Créditos da foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

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Política

Lula assina novo decreto do Marco Civil, levanta risco de censura e pode afetar o mercado digital

Mudança foca em proteger mulheres online, mas agência reguladora e Big Techs debatem controle.

Redação Pedra Azul News

26/05/2026 - 00:00:00 | Atualizada em 26/05/2026 - 09:52:21

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Créditos da foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou os Decretos nº 12.115/2026 e nº 12.116/2026 que atualizam a regulamentação da Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet), modificando o regime de responsabilidade de provedores e redes sociais em operação no Brasil. O conjunto de normas estabelece parâmetros imediatos para a remoção de conteúdos nocivos, focando no combate à violência de gênero e à exposição íntima não consensual. A implementação das novas regras por meio de ato do Executivo, contudo, abriu divergências técnicas entre o Palácio do Planalto, associações de tecnologia e parlamentares, levantando debates sobre o risco de censura e o impacto direto na sustentabilidade financeira do mercado digital.

De acordo com as diretrizes divulgadas pela Casa Civil da Presidência da República, o principal argumento para a edição das normas é a urgência em conter crimes digitais contra o público feminino. Dados da segurança pública e de relatórios de direitos humanos apontam que mulheres concentram a maioria das vítimas de difamação e vazamento de imagens nas redes. As regras impõem obrigações para que as Big Techs ofereçam canais prioritários de denúncia e reduzam o tempo de resposta para a exclusão de postagens abusivas.

Fiscalização por agência nomeada e escopo regulatório

O ponto central que motivou o questionamento de entidades setoriais foi a designação de uma agência reguladora federal para monitorar o cumprimento das obrigações pelas empresas de internet. Essa agência passa a centralizar as seguintes atribuições:

Aplicação de penalidades: O órgão governamental poderá aplicar multas e sanções administrativas caso as empresas descumpram os procedimentos de moderação exigidos.

Exigência de relatórios: As plataformas digitais ficam obrigadas a emitir relatórios periódicos de transparência detalhando o funcionamento de algoritmos e métricas de exclusão de contas.

Aferição de conduta: A agência avaliará se as medidas preventivas adotadas pelas redes contra redes de desinformação e perfis automatizados atendem aos critérios de conformidade estabelecidos.

Impactos no mercado digital: Criadores de conteúdo e influenciadores

A atualização regulatória atinge diretamente o ecossistema de criadores de conteúdo, influenciadores digitais e agências de marketing que dependem da monetização e do alcance das redes sociais. O mercado de creators — que movimenta bilhões de reais anualmente na economia de serviços e publicidade — passa a operar sob maior vigilância e critérios mais rígidos de responsabilidade:

Risco de desmonetização e quedas de perfil: Com a obrigação de derrubada rápida de postagens denunciadas, cresce o receio de que criadores de conteúdo sejam alvos de "ondas de denúncias coordenadas" orquestradas por grupos opositores, o que pode levar à suspensão preventiva de contas legítimas e prejuízos comerciais imediatos.

Mudança nas diretrizes de conteúdo: Influenciadores precisarão adotar critérios de conformidade mais severos na produção de vídeos, comentários e publicidades, evitando termos ou abordagens que possam disparar os filtros automatizados e hiper-reativos das Big Techs.

Responsabilidade solidária: O debate jurídico se estende sobre a cadeia de parcerias, exigindo que agências de publicidade e marcas revisem contratos para mitigar riscos de imagem caso canais parceiros sejam advertidos ou punidos pelo novo órgão fiscalizador.

Reflexos em outros setores econômicos

Além do entretenimento e da política, o endurance do Marco Civil gera impactos indiretos no setor de e-commerce e no jornalismo digital. Plataformas de comércio eletrônico que hospedam avaliações de usuários e comentários de terceiros precisarão investir em novos systems de auditoria interna para evitar processos judiciais.

Para os portais de notícias e o jornalismo profissional, a centralização de poder sob uma agência federal e a pressa das plataformas em remover links sinalizados acendem o temor de cerceamento de reportagens investigativas legítimas, afetando o fluxo de informação e a previsibilidade de negócios baseados em tráfego virtual.

Posicionamento das Big Techs e riscos de censura colateral

A imposição dessas diretrizes por via de decreto executivo contornou a tramitação de projetos de lei semelhantes na Câmara dos Deputados, como o PL das Fake News, gerando críticas sobre a falta de previsibilidade legislativa. Setores da indústria de tecnologia e especialistas em direito digital manifestaram preocupação com o impacto das punições no fluxo normal da rede.

O principal argumento técnico de defesa das plataformas aponta para o risco de "censura colateral". Para evitar multas pesadas por atrasos na remoção, os algoritmos automáticos das empresas podem passar a derrubar perfis, postagens jornalísticas e manifestações de influenciadores de forma preventiva e excessiva. Esse comportamento automatizado reduziria o espaço do livre debate e da liberdade de expressão garantida pelo Artigo 5º da Constituição Federal.

Reação parlamentar e tramitação de projetos na Câmara

A publicação dos decretos provocou uma resposta imediata no Poder Legislativo. Parlamentares de oposição e de bancadas independentes iniciaram a articulação de Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) com a finalidade de sustar os efeitos das novas regras federais. A base crítica argumenta que o Poder Executivo extrapolou suas competências constitucionais ao criar obrigações acessórias e penalidades que não estavam previstas no texto original do Marco Civil aprovado pelo Congresso em 2014.

Analistas de políticas públicas avaliam que o impasse estende um cenário de segurança jurídica complexo para o setor de investimentos e inovação digital no país. Enquanto o Executivo defende a centralização do monitoramento como instrumento técnico de proteção a minorias e defesa da integridade pública, críticos apontam que a falta de um processo de votação ampla no Parlamento expõe as novas regras a questionamentos judiciais contínuos, dividindo opiniões sobre os limites da intervenção estatal na rede de computadores.

Fontes de referência e leitura complementar:

Texto e Diretrizes Oficiais: Casa Civil do Governo do Brasil

Ampliação das Obrigações Judiciais: Portal Migalhas

Atuação e Poderes da Agência Reguladora: Danúzio News

Questionamentos Técnicos e Projetos de Reação: O Estado de S. Paulo

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