O governo de Israel anunciou nesta segunda-feira (25) que reduzirá o nível das relações diplomáticas com o Brasil, após o Itamaraty não responder à indicação de Gali Dagan para assumir a embaixada em Brasília. Segundo a chancelaria israelense, o nome do diplomata foi retirado e não será enviado outro representante, passando as relações a serem conduzidas em um “nível inferior”.
O pedido de agrément, autorização necessária para que o embaixador exerça sua função, ficou meses em análise sem resposta, situação que Israel interpretou como uma recusa.
O episódio intensifica um impasse iniciado em fevereiro de 2024, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado “persona non grata” por Israel, após comparar ataques militares em Gaza ao Holocausto, considerado uma linha vermelha pelo governo israelense. Naquele período, o então embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, foi convocado a uma reunião conduzida pelo chanceler Israel Katz no Museu do Holocausto, gesto interpretado pelo Itamaraty como humilhação pública. Meyer retornou a Brasília poucos meses depois, e o posto permaneceu vago desde então.
O assessor especial da Presidência e ex-chanceler Celso Amorim afirmou que a recusa ao agrément foi uma reação ao tratamento dispensado ao diplomata brasileiro. “Não houve veto. Pediram o agrément e não concedemos. Eles entenderam e desistiram. Nosso embaixador foi humilhado publicamente”, declarou. Amorim destacou que o Brasil não é contra Israel enquanto país, mas critica as ações do governo Netanyahu em Gaza, que classificou como “genocídio”.
O distanciamento teve novo capítulo em janeiro, quando o Brasil acionou a Corte Internacional de Justiça, acusando Israel de violar o direito humanitário durante operações militares na Palestina. Na nota, o Itamaraty expressou indignação com ataques a civis, infraestrutura, locais religiosos e atos de colonos extremistas na Cisjordânia.
No comunicado divulgado hoje, Israel reforçou que o Brasil adota uma postura crítica e hostil desde o início do conflito em Gaza e manteve a posição de Lula como “persona non grata”, mas garantiu preservar “laços profundos com os muitos círculos de amigos de Israel no Brasil”.