Governos europeus estão orientando suas populações a manter reservas de alimentos, água e medicamentos para enfrentar possíveis emergências. Nos Estados Unidos, o Pentágono desenvolve medidas para garantir que bases militares continuem funcionando durante interrupções prolongadas de serviços essenciais.
Ao mesmo tempo, autoridades iranianas ameaçaram atingir cabos submarinos de comunicação caso o país sofra novos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel.
Esses acontecimentos ganharam destaque em outubro de 2026, em meio às tensões no Oriente Médio e à preocupação com possíveis ataques a sistemas de energia, comunicação e abastecimento.
As medidas são reais, mas não comprovam que exista uma guerra mundial prestes a começar ou um ataque internacional coordenado.
Europa orienta famílias a manter reservas de emergência
A Comissão Europeia apresentou, em março de 2025, uma estratégia para melhorar a preparação dos países diante de situações de crise.
Uma das orientações é que as famílias tenham condições de permanecer pelo menos 72 horas com recursos próprios, caso serviços essenciais sejam interrompidos.
Isso significa manter alimentos não perecíveis, água potável, medicamentos e produtos básicos suficientes para enfrentar os primeiros dias de uma emergência.
A estratégia considera riscos de conflitos militares, ataques cibernéticos, sabotagens e desastres naturais.
O objetivo é permitir que a população enfrente dificuldades temporárias enquanto equipes de emergência trabalham para restabelecer os serviços.
Reino Unido lança campanha nacional
Em 22 de outubro de 2026, o governo britânico lançou a campanha Be Ready, incentivando os moradores a manter suprimentos para aproximadamente três dias.
Entre os itens recomendados estão água engarrafada, alimentos duráveis, medicamentos, lanternas, baterias e equipamentos alternativos de comunicação.
A orientação contempla situações como tempestades, incêndios, apagões e interrupções no fornecimento de água, telefonia e internet.
O governo ressaltou que as famílias podem se preparar gradualmente, sem necessidade de compras excessivas.
A campanha segue iniciativas semelhantes adotadas por outros países europeus.
Pentágono prepara bases militares para crises prolongadas
Nos Estados Unidos, o Pentágono apresentou iniciativas para fortalecer a segurança e a capacidade de funcionamento das instalações militares.
Uma dessas medidas é o programa FORTRESS America, voltado à redução da dependência das bases de serviços civis de energia, abastecimento e comunicação.
A proposta busca permitir que instalações militares mantenham suas atividades mesmo durante apagões, ataques à infraestrutura ou interrupções no fornecimento de materiais.
Entre as medidas previstas estão sistemas independentes de eletricidade, reservas de combustível, proteção das comunicações e alternativas para o abastecimento militar.
Bases poderão funcionar por 90 dias sem apoio externo?
Segundo reportagem da Fox News, publicada em 25 de outubro, documentos relacionados ao programa FORTRESS estabelecem como objetivo manter grandes bases americanas operacionais durante pelo menos 90 dias sem apoio externo.
Isso inclui garantir eletricidade, água, combustível e comunicações para as atividades essenciais.
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, confirmou ao veículo a preocupação com a dependência militar de redes civis, que podem ser afetadas em situações de conflito.
A meta de 90 dias foi divulgada pela Fox News com base em documentos examinados pela reportagem. Ela não representa uma orientação para que a população americana armazene alimentos durante três meses.
O planejamento tem finalidade militar: impedir que falhas nos serviços básicos comprometam a capacidade de defesa dos Estados Unidos.
Irã ameaça cabos submarinos de internet
Uma reportagem da Reuters, publicada em 23 de outubro, revelou que autoridades iranianas mencionaram planos para atacar cabos submarinos de telecomunicações no Golfo Pérsico.
Segundo dois altos funcionários da segurança do Irã, que falaram sob anonimato, a medida seria considerada caso os Estados Unidos e Israel realizassem novos ataques contra o território iraniano.
Um dos funcionários afirmou que o país também poderia dificultar os reparos nos cabos, prolongando possíveis interrupções.
Dois dias antes da reportagem, Yadollah Javani, dirigente da Guarda Revolucionária iraniana, havia mencionado sete cabos de comunicação no Estreito de Ormuz como possíveis alvos.
As declarações representam ameaças condicionais. Não há confirmação de que esses cabos tenham sido atacados em consequência dos planos mencionados.
O mundo poderia ficar sem internet?
Os cabos submarinos são responsáveis pela maior parte da transmissão de dados entre continentes.
Eles transportam informações utilizadas por bancos, empresas, governos, plataformas digitais e serviços de comunicação.
Apesar dessa importância, a internet não depende de um único cabo. Existem diferentes caminhos pelos quais os dados podem circular.
Segundo informações da consultoria TeleGeography divulgadas pela Reuters, menos de 1% da capacidade internacional de transmissão passa pelo Estreito de Ormuz.
Um ataque nessa região poderia provocar lentidão, interrupções de serviços e dificuldades de comunicação em determinados países.
O impacto dependeria da quantidade de cabos atingidos e da possibilidade de utilizar rotas alternativas.
Portanto, a ameaça deve ser levada a sério, mas não há comprovação de um plano capaz de desligar toda a internet mundial.
Qual é a relação com Gaza e os houthis?
Os conflitos no Oriente Médio envolvem diferentes países e grupos armados.
O Irã mantém relações com os houthis, grupo que atua no Iêmen, próximo ao Mar Vermelho, região importante para o transporte marítimo e para as conexões de internet entre continentes.
Os ataques dos houthis contra embarcações aumentaram as preocupações com a segurança dessas rotas.
Entretanto, não há confirmação de que o grupo esteja executando uma operação atual para destruir cabos internacionais de internet.
Também não foi comprovado que o Hamas, na Faixa de Gaza, tenha anunciado um plano para interromper as comunicações mundiais.
A ameaça recente documentada pela Reuters partiu de autoridades iranianas, em resposta à possibilidade de novos ataques militares contra o país.
Por que os governos estão se preparando?
As iniciativas europeias e americanas estão relacionadas à preocupação com três tipos principais de risco:
Conflitos militares: ataques podem atingir instalações de energia, sistemas de transporte, comunicações e abastecimento.
Ataques cibernéticos e sabotagens: ações contra redes digitais ou estruturas físicas podem interromper serviços essenciais.
Desastres naturais: tempestades, enchentes e incêndios também podem deixar regiões sem água, eletricidade e comunicação.
Na Europa, a prioridade das campanhas é preparar as famílias para enfrentar emergências temporárias.
Nos Estados Unidos, o programa militar procura manter a capacidade de funcionamento das bases mesmo durante crises prolongadas.
Essas medidas não possuem necessariamente a mesma origem, mas revelam uma preocupação comum: reduzir a dependência de serviços que podem falhar em situações extremas.
Existe risco de uma guerra mundial iminente?
As informações verificadas mostram que governos europeus estão incentivando reservas domésticas, o Pentágono está fortalecendo a preparação militar e autoridades iranianas fizeram ameaças contra infraestruturas de comunicação.
Entretanto, esses acontecimentos não comprovam que uma guerra mundial esteja prestes a começar.
Também não há confirmação de que os governos estejam agindo a partir de um alerta secreto sobre uma catástrofe internacional.
Parte das recomendações europeias existe há anos e considera diferentes situações de emergência, não apenas conflitos militares.
O cenário exige acompanhamento, especialmente diante das tensões no Oriente Médio, mas é importante distinguir medidas preventivas, ameaças anunciadas e ataques efetivamente realizados.
Fontes: UE · Reino Unido · Pentágono · Fox News · Reuters





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