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María Corina Machado retorna à Venezuela sob aplausos de apoiadores

Após dez meses de exílio, líder opositora é recebida com festa e defende eleições em 2027.

Redação Pedra Azul News

30/10/2026 - 00:00:00 | Atualizada em 29/10/2026 - 19:36:47

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A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (29 de outubro de 2026) que os Estados Unidos propuseram a realização de eleições presidenciais na Venezuela em 2027. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva em Caracas, a primeira de maior alcance desde seu retorno ao país, no domingo (25), após aproximadamente dez meses no exterior.

Segundo a Reuters, Machado atribuiu ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, o apoio à proposta de um novo calendário eleitoral. A líder opositora também defendeu mudanças nas instituições responsáveis pela votação, participação dos venezuelanos residentes no exterior e garantias para uma transição democrática.

O pronunciamento ocorre em um momento de reorganização política da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro e a ascensão de Delcy Rodríguez à presidência interina.

Eleições em 2027 ainda dependem de definição oficial

A proposta de eleições presidenciais no próximo ano representa um dos principais pontos da agenda de transição defendida por Washington e por setores da oposição venezuelana.

Entretanto, não existe uma data oficialmente estabelecida para a votação. O calendário dependerá de negociações políticas, mudanças nas autoridades eleitorais e garantias institucionais.

De acordo com o El País, Machado classificou a transição democrática como irreversível e defendeu que as reformas políticas avancem sem atrasar desnecessariamente o processo eleitoral.

A oposição também pretende reorganizar a participação dos eleitores que vivem fora da Venezuela. O movimento Vente Venezuela trabalha em uma iniciativa para reunir informações cadastrais de cidadãos no exterior, que poderão ser utilizadas futuramente caso as autoridades eleitorais sejam reformadas.

Retorno ao país mobiliza apoiadores

Machado retornou à Venezuela no domingo (25), depois de permanecer aproximadamente dez meses fora do país. Sua chegada foi acompanhada por manifestações de apoio e recepções organizadas por simpatizantes.

O retorno ocorreu após negociações e contatos envolvendo autoridades internacionais. A líder oposicionista voltou a defender a participação popular no processo político e a reconstrução das instituições democráticas.

Segundo a Associated Press, Marco Rubio afirmou que Washington havia solicitado às autoridades venezuelanas garantias para que Machado pudesse regressar ao país.

A administração interina de Delcy Rodríguez sinalizou disposição para a realização de eleições, mas ainda não apresentou um calendário definitivo.

Machado cobra justiça e libertação de presos políticos

Além das eleições, Machado defendeu medidas de justiça de transição, incluindo a criação de uma comissão da verdade, a responsabilização por violações de direitos humanos e reformas nas forças de segurança.

Segundo informações do Foro Penal divulgadas pela Reuters, 322 pessoas permaneciam presas por motivos políticos na Venezuela.

A líder opositora também defendeu a construção de garantias institucionais para evitar a repetição de práticas repressivas.

Acordos petrolíferos entram no debate político

Outro ponto importante do pronunciamento foi a política energética venezuelana.

Machado criticou a falta de transparência em um acordo energético apoiado pelos Estados Unidos e defendeu que futuros contratos sejam submetidos a procedimentos públicos e competitivos.

Segundo o Washington Post, a controvérsia envolve um acordo relacionado ao empresário Alejandro Betancourt.

As críticas da opositora concentram-se nas condições de negociação e na necessidade de maior transparência. Não há comprovação, nas informações consultadas, de que o contrato tenha transferido o controle das reservas petrolíferas venezuelanas ao empresário.

Machado também defendeu segurança jurídica, mecanismos internacionais de arbitragem e a possibilidade de renegociar contratos em condições mais favoráveis ao país.

Relação com Trump e negociações internacionais

Durante a entrevista, Machado agradeceu ao presidente americano Donald Trump e ao secretário Marco Rubio pelo papel desempenhado pelos Estados Unidos no processo que levou à retirada de Maduro do poder.

Apesar da aproximação política, existem divergências sobre a condução da transição.

O governo americano apoia negociações entre a administração interina e setores da oposição que não incluem o movimento Vente Venezuela, liderado por Machado.

A ausência de seu grupo nas negociações representa um desafio para a construção de um acordo político que reúna as principais forças venezuelanas.

O que ainda precisa ser definido na Venezuela?

Três questões permanecem centrais para os próximos meses:

Calendário eleitoral: definição de uma data oficial para as eleições presidenciais e das condições necessárias para sua realização.

Reformas institucionais: renovação das autoridades eleitorais e judiciais, além de garantias para candidatos, partidos e eleitores.

Reorganização econômica: estabelecimento de regras transparentes para investimentos, contratos petrolíferos e eventual renegociação de compromissos financeiros.

A realização de eleições em 2027 dependerá da evolução dessas negociações e da capacidade das autoridades venezuelanas de estabelecer condições reconhecidas como legítimas pelos participantes do processo.

Fontes: Reuters · El País · Associated Press · Washington Post

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