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Espírito Santo

Duplicação da BR-262 no ES fica para 2027 após sucessivos adiamentos

Primeira fase atravessa a Região Serrana; investimento total previsto é de R$ 8,6 bilhões.

Redação Pedra Azul News

03/11/2026 - 00:00:00 | Atualizada em 03/11/2026 - 14:59:49

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Imagem: Reprodução/DNIT.

A aguardada duplicação da BR-262 no Espírito Santo tem uma nova previsão para começar: os primeiros meses de 2027. O cronograma foi anunciado pelo Ministério dos Transportes e prevê investimentos de R$ 8,6 bilhões para modernizar aproximadamente 180 quilômetros da rodovia, entre Viana e a divisa com Minas Gerais.

A informação foi divulgada em setembro pelo jornal A Gazeta, após declarações do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, durante visita ao Espírito Santo.

Na ocasião, Santoro afirmou que três editais para contratação das obras seriam publicados até outubro de 2026, com previsão de conclusão das contratações no início de 2027.

Entretanto, a previsão de início das obras ainda depende de etapas administrativas e da efetiva contratação das empresas responsáveis pela execução.

A nova data reacende a expectativa de moradores, transportadores, comerciantes e turistas que utilizam uma das principais ligações entre o Espírito Santo e Minas Gerais.

Cinco lotes e duas etapas de execução

O projeto elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) divide a duplicação em cinco lotes, organizados em duas fases.

A primeira compreende os três trechos considerados mais complexos, especialmente devido ao relevo montanhoso da Região Serrana.

São aproximadamente 105 quilômetros entre o entroncamento com a BR-101, em Viana, e a região de Conceição do Castelo, passando por Marechal Floriano, Domingos Martins e áreas próximas a Pedra Azul.

A segunda fase abrange aproximadamente 75 quilômetros, até a divisa com Minas Gerais.

A distribuição prevista é a seguinte:

Lote 1 — Viana a Marechal Floriano: do km 15,9 ao km 50,8. Inclui a implantação da Variante da Boa Vista, com 34,9 quilômetros, além da restauração de 28,8 quilômetros da pista existente.

Lote 2 — Marechal Floriano a Aracê: do km 50,8 ao km 86,9, com 36,1 quilômetros de duplicação.

Lote 3 — Aracê a Conceição do Castelo: do km 86,9 ao km 120,9, com 34 quilômetros de duplicação.

Lote 4 — Conceição do Castelo a Ibatiba: do km 120,9 ao km 157, com 36,1 quilômetros.

Lote 5 — Ibatiba à divisa com Minas Gerais: do km 157 ao km 196, com 39 quilômetros.

Os três primeiros lotes deverão ser executados com recursos públicos, enquanto os dois últimos estão previstos para uma futura concessão rodoviária.

Investimento bilionário envolve recursos do acordo de Mariana

Do total estimado em R$ 8,6 bilhões, aproximadamente R$ 6 bilhões estão previstos para os três primeiros lotes, considerados os mais desafiadores do projeto.

Parte do financiamento virá da União, complementada por recursos do governo do Espírito Santo.

A Secretaria de Recuperação do Rio Doce confirma a previsão de R$ 2,3 bilhões provenientes do acordo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em 2015.

Os recursos foram destinados à melhoria da infraestrutura rodoviária capixaba.

Já os lotes 4 e 5 possuem investimento estimado em aproximadamente R$ 2,6 bilhões e deverão integrar uma futura concessão.

Segundo Santoro, o modelo foi escolhido porque a execução integral das obras por uma concessionária poderia tornar o empreendimento economicamente inviável, diante do elevado custo de engenharia.

Licitação de supervisão avançou, mas execução ainda exige contratação

O processo de preparação da obra apresentou movimentações ao longo de 2026.

O Compras.gov.br registra a Concorrência Eletrônica nº 90106/2026, destinada à contratação de empresas para supervisionar a elaboração dos projetos e a futura execução das obras nos três primeiros lotes.

O valor estimado dessa contratação é de aproximadamente R$ 164,8 milhões.

Em reportagem de agosto, a Tribuna Online informou que oito empresas participavam da disputa pelos contratos de supervisão.

É importante destacar que a contratação de supervisão não significa que as obras de duplicação já tenham começado.

Até a última apuração, não foi possível confirmar a publicação dos três editais de execução anunciados pelo Ministério dos Transportes para até outubro de 2026.

Essa informação é essencial para acompanhar o cumprimento do novo cronograma.

Região Serrana deverá receber as intervenções mais complexas

O trecho entre Viana, Marechal Floriano e a região de Domingos Martins concentra alguns dos maiores desafios de engenharia do empreendimento.

A BR-262 atravessa montanhas, encostas e áreas de grande variação de altitude, exigindo soluções que vão além da simples construção de uma pista paralela.

O projeto prevê aproximadamente 50 viadutos, 28 pontes, quatro túneis, seis passarelas e 40 quilômetros de ciclovias, além de interseções e melhorias nos acessos.

Também estão previstas intervenções destinadas a reduzir conflitos de tráfego e melhorar a circulação nos pontos mais movimentados.

A execução exigirá estudos detalhados das condições do solo, drenagem, estabilidade de encostas e impactos ambientais.

Segundo o Ministério dos Transportes, as soluções precisam considerar inclusive as condições climáticas da região.

Pedra Azul e municípios serranos poderão ser beneficiados

Para a Região Serrana, a duplicação representa uma mudança potencialmente significativa na mobilidade.

A BR-262 atende moradores, produtores rurais, comerciantes, empresas de transporte e visitantes que seguem em direção a destinos turísticos como Domingos Martins, Pedra Azul e Venda Nova do Imigrante.

A rodovia também conecta áreas de produção agrícola e de atividade econômica ao litoral capixaba e à estrutura portuária do Estado.

Com a ampliação da capacidade, a expectativa é melhorar a fluidez do tráfego e reduzir dificuldades de circulação em trechos de pista simples.

Na Serra, fatores como curvas acentuadas, neblina, chuvas e movimento de veículos pesados exigem atenção permanente dos motoristas.

As intervenções previstas poderão contribuir para condições mais seguras, desde que o projeto seja executado conforme as especificações técnicas e acompanhado por ações adequadas de manutenção e fiscalização.

Conclusão poderá ocorrer somente a partir de 2031

O cronograma de início em 2027 não significa que a rodovia estará totalmente duplicada naquele ano.

Segundo George Santoro, os primeiros três lotes envolvem obras de grande complexidade e deverão exigir pelo menos quatro anos de execução.

Com isso, a conclusão da primeira etapa não é esperada antes de 2031, caso o planejamento anunciado seja mantido.

O prazo poderá ser influenciado por desapropriações, licenciamento, condições geológicas e dificuldades técnicas durante a construção.

A segunda fase, prevista para execução por meio de concessão, ainda dependerá de definições contratuais próprias.

Depois de tantos anúncios, o desafio é transformar projetos em obras

A BR-262 acumula um histórico de tentativas frustradas de concessão e sucessivas revisões de cronograma.

Em análise publicada em outubro, o jornalista Abdo Filho, de A Gazeta destacou que a rodovia permanece entre as principais pendências de infraestrutura federal no Espírito Santo.

O colunista também apontou a importância logística da ligação rodoviária para a movimentação de cargas destinadas aos portos capixabas.

A expectativa de investimentos bilionários representa uma perspectiva relevante para o Estado, mas o histórico do empreendimento reforça a necessidade de acompanhar os próximos passos.

O que falta para o início efetivo da duplicação?

Três etapas serão decisivas para verificar se a previsão de 2027 será cumprida:

Publicação e andamento das licitações: confirmação dos editais destinados à contratação das empresas que executarão os três primeiros lotes.

Formalização dos contratos: definição das empresas responsáveis, dos valores contratados e dos prazos de mobilização.

Ordens de serviço: autorização efetiva para que os trabalhos comecem, acompanhada de um cronograma público de execução.

Essas informações permitirão distinguir os anúncios de planejamento dos avanços concretos no empreendimento.

Após anos de expectativa, a BR-262 continua sendo uma obra estratégica para a segurança viária, o turismo e a economia capixaba.

Com o início novamente previsto para 2027, a pergunta que permanece é: desta vez, a duplicação da BR-262 finalmente sairá do papel?

Fontes: A Gazeta · Secretaria do Rio Doce · Compras.gov.br · Tribuna Online · Abdo Filho

Imagem: Reprodução/DNIT. Ilustração do projeto.

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