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Trecho da BR-101 que atravessa a Reserva Biológica de Sooretama é monitorado para reduzir acidentes e conscientizar motoristas sobre os riscos do excesso de velocidade |  Foto: Reprodução

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Espírito Santo

Atenção motoristas! Não adianta frear, novos radares na BR-101 monitoram velocidade média

Equipamentos modernos operam em fase de testes para mapear o tempo de viagem na rodovia

Redação Pedra Azul News

09/06/2026 - 00:00:00 | Atualizada em 09/06/2026 - 09:48:27

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Trecho da BR-101 que atravessa a Reserva Biológica de Sooretama é monitorado para reduzir acidentes e conscientizar motoristas sobre os riscos do excesso de velocidade |  Foto: Reprodução

O comportamento cultural de acelerar nas retas e frear de forma abrupta apenas ao se aproximar dos totens visíveis de fiscalização está com os dias contados em trechos estratégicos da malha rodoviária capixaba.

Os radares localizados ao longo da rodovia BR-101 trazem uma quebra de paradigma na tecnologia de segurança viária com a introdução de um sistema de monitoramento focado na velocidade média.

A iniciativa, coordenada de forma integrada entre as autoridades de trânsito e a concessionária responsável pela via, opera atualmente em fase experimental e de estudos estatísticos.

A ferramenta atua de forma educativa. O objetivo é diagnosticar o comportamento dos condutores antes que ocorra uma futura homologação punitiva na legislação federal.

ALERTA AO MOTORISTA: O cálculo da velocidade média NÃO GERA MULTAS, PONTOS NA CNH OU COBRANÇAS. A legislação brasileira atual exige a medição instantânea para aplicar penalidades. No entanto, os radares funcionam em sistema híbrido: se você passar acima do limite máximo (60 km/h) exatamente embaixo de qualquer um dos totens fixos, a multa tradicional por velocidade instantânea será aplicada normalmente.

O objetivo real dos novos radares na rodovia

Diferente do que muitos condutores imaginam, o verdadeiro propósito da instalação dessa tecnologia não é aumentar a arrecadação com penalidades, mas sim transformar o comportamento do fluxo viário.

O foco central é salvar vidas através da estabilização da velocidade na pista. Ao monitorar o tempo de deslocamento entre um ponto e outro, o sistema busca eliminar o perigoso hábito de correr nos intervalos onde não há fiscalização visível.

A engenharia de tráfego projeta que o monitoramento constante reduza drasticamente o chamado "efeito sanfona". Esse fenômeno ocorre quando motoristas freiam bruscamente por susto ao avistar o radar, provocando retenções na retaguarda, colisões traseiras severas e engavetamentos em dias de fluxo denso.

Além disso, o trecho escolhido para os testes compreende a área que atravessa a Reserva Biológica de Sooretama, no Norte do Espírito Santo. A região concentra uma preocupação socioambiental extrema, e o controle linear da velocidade visa reduzir drasticamente o alto índice de atropelamentos de animais silvestres e as colisões frontais provocadas por ultrapassagens forçadas.

Como funciona a tecnologia do cercamento eletrônico

A dinâmica técnica do novo sistema baseia-se na precisão cronometrada de um ecossistema inteligente baseado em softwares de Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR).

Na prática, nenhum equipamento físico inédito foi fixado nas margens da rodovia. A inovação consiste na implementação de um programa inteligente acoplado a radares que já operavam tradicionalmente na pista.

O monitoramento atual compreende o trecho entre os quilômetros 102 e 125 da BR-101. Ao cruzar o primeiro pórtico, a câmera faz a leitura instantânea da placa do veículo e registra o milésimo de segundo da passagem.

Quando o automóvel cruza o segundo ponto de monitoramento, localizado quilômetros adiante, o sistema calcula o tempo exato que o motorista levou para realizar aquele deslocamento específico. O sistema computacional divide a distância em metros pelo tempo em segundos gasto pelo motorista para obter o veredito.

Flagrantes impressionantes na fase de testes

A fase de testes já apresenta dados alarmantes para a engenharia de tráfego local. Durante as primeiras operações de monitoramento assistido, realizadas em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o software inteligente capturou flagrantes impressionantes de imprudência.

Incentivados pela ilusão de que bastava reduzir a velocidade ao passar embaixo do totem, condutores abusaram do acelerador nos intervalos entre os aparelhos.

Em um dos casos mais graves capturados pelas lentes dos equipamentos, um condutor foi detectado trafegando a uma velocidade média de 124 km/h. O perímetro em questão possui limite máximo permitido de apenas 60 km/h.

Esse tipo de dado comprova que o motorista ignorou os riscos da via e manteve um ritmo extremamente perigoso durante todo o percurso, demonstrando por que os radares convencionais isolados muitas vezes falham em conter abusos continuados.

Fase experimental e o debate regulatório nacional

Os dados acumulados nesta fase experimental não possuem fins punitivos e são convertidos apenas em blitze educativas e abordagens de conscientização conduzidas pelas equipes da PRF na rodovia.

Paralelamente, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mantêm estudos técnicos avançados para padronizar os radares de velocidade média no Brasil, espelhando-se em modelos aplicados com sucesso em estradas da Europa.

O período de testes é considerado fundamental pelos analistas do setor para promover a aclimatação dos motoristas em relação às novas tecnologias de mobilidade inteligente.

Manter uma velocidade constante, respeitar as placas de sinalização preventiva e compreender que o tempo de deslocamento seguro preserva vidas são os passos essenciais para consolidar uma convivência harmônica nas rodovias. O planejamento consciente do horário de partida permanece sendo a única escolha inteligente para garantir uma viagem tranquila e econômica.

Fontes de referência:

Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e Diretrizes Técnicas da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran)

Superintendência da Polícia Rodoviária Federal no Espírito Santo (PRF-ES)

Setor de Engenharia de Tráfego e Operações Viárias da Concessionária da BR-101

Relatório Técnico de Fiscalização Eletrônica — Portal A Tribuna (Tribuna Online)

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