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Eleições

Resumo da entrevista de Lula no Jornal Nacional

O candidato petista foi o entrevistado dessa quinta-feira (25) do JN

Redação Pedra Azul News

26/08/2022 - 00:00:00 | Atualizada em 26/08/2022 - 12:37:14

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Reprodução: JN

O presidenciável entrevistado nessa quinta-feira (25) pelo Jornal Nacional (JN) foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dando seguimento a essa série dos resumos das entrevistas, o Pedra Azul News apresenta aos nossos leitores o resumo da entrevista de Lula ao JN. Boa leitura!

A entrevista foi aberta com uma pergunta do jornalista William Bonner acerca da corrupção. Bonner perguntou como, diante de tantos escândalos de corrupção durante os governos petistas, o eleitor poderia acreditar que a corrupção não tornaria a acontecer em um eventual terceiro mandato de Lula. O ex-presidente disse que no seu governo as instituições fiscalizadoras foram fortalecidas.

Ele disse que a corrupção só aparece quando pode ser investigada e, para fundamentar sua afirmação, citou várias medidas de seu governo, a exemplo do portal da transparência, a criação do COAF, dentre outras. Para o ex-presidente, a operação Lava-Jato ultrapassou os limites técnicos investigativos e ingressou no terreno da política. Com efeito, disse ter afirmado a Sergio Moro em uma audiência que o ex-juiz da Lava-Jato estava condenado a condená-lo porque “a mentira já foi longe demais”. Por fim, destacou que qualquer pessoa no seu governo que cometer crime será investigada, processada e julgada. Segundo ele, é assim que se combate a corrupção.

Questionado sobre o fato de o Partido dos Trabalhadores ter afirmado que o prejuízo da Petrobrás no escândalo do petrolão ter sido colocado no balanço da empresa por uma imposição da Lava-Jato, Lula disse que não pode afirmar que não houve corrupção uma vez que as “pessoas confessaram”. Lula criticou a legislação brasileira, pois, segundo ele, quem confessou ficou rico justamente por ter confessado. Para o ex-presidente, quem confessou ficou com metade dos valores que teria desviado ilicitamente. “Ou seja, o roubo foi oficializado pelo Ministério Público”, afirmou.

Depois disso, o candidato tentou desviar do assunto afirmando que no Brasil as pessoas são condenadas pelas manchetes de jornais. O jornalista William Bonner interveio afirmando que forma devolvidos 6 bilhões e duzentos milhões de dólares para a Petrobrás, ou seja, os fatos confirmaram as manchetes. Lula, mais uma vez, mudou de assunto afirmando que o Ministério Público queria “pegar para ele” 2 bilhões para criar um “fundinho”, segundo o ex-presidente. E seguiu atacando a Lava-Jato, afirmando que a operação foi responsável por 4 milhões e 400 mil pessoas desempregadas no Brasil. Ao final da entrevista, Bonner se corrigiu, afirmando se tratar de 6 bilhões de reais, e não se dólares.

Na sequência, Lula disse, sem informar a origem, que 270 bilhões (não disse se de dólares ou de reais) deixaram de ser investidos no Brasil por conta do combate à corrupção perpetrado pela Lava-Jato. E também por conta da operação, o Brasil teria deixado de arrecadar 58 bilhões (provavelmente de reais). Por fim, disse que terá de retomar as obras de infraestrutura e investir nas indústrias de engenharia.

Bonner afirmou que muitos economistas sustentam que os milhões de empregos perdidos se deram por conta não da Lava-Jato mas sim da herança da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Na sequência, a jornalista Renata Vasconcellos afirmou que Lula e Dilma sempre nomearam para Procurador-Geral da República (PGR) o primeiro nome da lista tríplice indicada pelo Ministério Público Federal. Por outro lado, quando perguntado sobre se manterá essa prática em um eventual terceiro mandato, Lula tem evitado responder. A jornalista perguntou o motivo de ele se esquivar da pergunta. Lula respondeu que quer que “eles fiquem com uma pulguinha atrás da orelha”. Disse ainda que é um erro prometer “as coisas” antes de ganhar as eleições. Disse que respeita muito o Ministério Público e que a força-tarefa da Lava-Jato quase jogou o nome da instituição na lama.

Lula afirmou que o PGR não deve ser leal a ele, mas sim leal ao povo brasileiro. Por fim, garantiu que, se ganhar as eleições, antes de assumir, terá várias reuniões com o Ministério Público para definir os critérios para nomeação do PGR. Questionado por que manter sigilo sobre questão tão importante para as instituições e para o povo brasileiro, Lula disse que nomeou o PGR que estava “julgando [sic] o Palocci”. Disse ainda em sua defesa que em 2005 a Polícia Federal “invadiu” [sic] a casa do seu irmão e ele não interferiu.

Na sequência, Bonner perguntou sobre economia. Disse que todos os economistas tem afirmado que o próximo presidente herdará um cenário de grande desequilíbrio fiscal e, em face disso, Lula não tem sido claro sobre os seus planos para a economia. A pergunta foi como Lula pretende recuperar o equilíbrio das contas.

“Oh Bonner, você não deve lembrar o que os meus economistas diziam pra mim nas eleições de 2002”, disse Lula. Afirmou que o Brasil estava quebrado naquela época e, na sequência, deu dados de seu governo: inflação dentro da meta de 4%, redução da dívida pública de 60,4% para 39% e empréstimo feito para o FMI.

Bonner mencionou as atitudes do governo Dilma como aumento de gastos públicos e intervenção na economia, como maquiar o preço da gasolina, o que, segundo o jornalista, aumentou a inflação. Ele perguntou qual receita econômica aplicará se presidente, a de seu primeiro mandato ou a da ex-presidente Dilma. Lula disse que esteve com Dilma em São Paulo e ela pediu para que, se perguntassem sobre o governo dela, Lula dissesse aos jornalistas para a convidarem para esclarecimentos. Depois, fez uma série de elogios a Dilma Rousseff. Disse que divergia de sua política de preços da gasolina, mas que ela, por outro lado, foi impedida de implementar mudanças por conta de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e Aécio Neves, senador naquela época.

Na sequência, a jornalista Renata Vasconcellos perguntou sobre relações políticas. Ela mencionou o histórico de relações corruptas do governo do PT com o Congresso, que gerou escândalos como o do mensalão. Ela perguntou como será a relação do Governo com o Congresso num eventual terceiro mandato. Em resposta, Lula perguntou se a jornalista achava que o mensalão seria mais grave do que o orçamento secreto. Disse ainda que o centrão não é um partido político e que no Brasil somente o PT, o PSOL, o PCdoB e o PSB eram partidos. Os demais seriam, segundo Lula, “cartoriais”, ou seja, “são cooperativas de deputados que se juntam em determinadas circunstâncias”.

A jornalista insistiu na pergunta sobre como evitar a corrupção. Lula escorregou respondeu que “punindo as pessoas, denunciando as pessoas”. Lula defendeu, de passagem, uma imprensa livre e uma Justiça eficaz. Mais uma vez, Renata Vasconcellos insistiu em como não ter uma moeda de troca com o Congresso. Lula disse que o orçamento secreto é uma excrecência, que o presidencialismo acabou e que Bolsonaro não manda nada. Disse que o presidente Bolsonaro é um “bobo da Corte”.

Lula disse ainda que acredita que convencerá os parlamentares de abrir mão do orçamento secreto conversando com eles e elegendo pessoas com “outra cabeça”. Disse que “tem deputado liberando 200 ‘milhão’ [sic], 150 ‘milhão’ [sic], 100 milhões. Isso é um escárnio! Isso não é democracia”, protestou o ex-presidente.

Depois, fez muitos elogios a Geraldo Alckmin, candidato a vice em sua chapa, e brincou que só não queria que ele se filiasse ao PT pois não queria briga com o PSB.

Disse que o povo tem que voltar a fazer um churrasquinho e a tomar uma cervejinha.

Bonner questionou o candidato sobre a militância petista. Afirmou que muitas vezes a militância foi estimulada, inclusive por Lula, a ser agressiva com quem pensava de forma diferente da do PT. A pergunta foi que lições Lula e o PT tiraram disso. Lula respondeu que a democracia no Brasil era feliz quando a polarização era entre PT e PSDB. Bonner replicou lembrando que o governo de Lula instituiu a linguagem do “nós e eles”. Lula respondeu fazendo analogias com o futebol e, por fim, disse que a polarização é saudável no mundo inteiro. E que polarização não significa ódio. E disse, citando Paulo Freire, que é preciso juntar os divergentes para vencer o antagonismo do fascismo.

Renata Vasconcellos questionou sobre o agronegócio. Disse que na época do governo petista, o agronegócio cresceu muito. No entanto, hoje o setor é contrário à candidatura do ex-presidente. Ela questionou se essa rejeição não seria por conta da relação próxima do ex-presidente e de seu partido com o MST. A resposta de Lula foi um taxativo “Não”. Disse que nenhum governo tratou tão bem o agronegócio como o dele tratou. Mas o setor teria tem rejeição a ele por conta de sua política de “proteção a Amazônia”, “em defesa do Pantanal, da Mata Atlântica”, em suma, a “nossa luta contra o desmatamento faz com que eles sejam contra nós”. Por fim, fez uma defesa do MST ao dizer que tinha hora que ele achava que os sem-terra estavam fazendo um favor para os fazendeiros, ao invadir a propriedade alheia sob a fiscalização do seu governo.

Renata Vasconcellos questionou sobre a afirmação do agronegócio ser contrária ao meio ambiente. A jornalista disse que isso não é verdade. Lula responder que o agronegócio é fascista e direitista. Disse que é preciso explorar cientificamente a biodiversidade da Amazônia. A jornalista voltou ao tema do MST e perguntou qual seria o papel do MST no seu governo. Lula disse que o MST está “fazendo uma coisa extraordinária, tá cuidando de produzir”.

Disse ainda que o MST é o maior produtor de arroz orgânico do Brasil. Segundo ele, “aquele MST de 30 anos atrás não existe mais”. Subitamente mudou de assunto dizendo que Bolsonaro está ganhando alguns fazendeiros por conta da facilitação para obtenção de armas de fogo. “Tem gente que acha que é bom ter arma em casa, que acha que é bom matar alguém. Não! O que nós queremos é pacificar esse país”, disse Lula.

Para fechar, William Bonner perguntou sobre política internacional. Os adversários de Lula o acusam de apoiar ditaduras de esquerda na América Latina. Disse que Lula evita criticar os ditadores. A pergunta foi “Para um democrata, isso não soa contradição, candidato?” A resposta de Lula foi “Não.”. Segundo ele, como democrata, é preciso respeitar a autodeterminação dos povos. “Cada país cuida do seu nariz”. Disse que com um mês de governo, ele criou, junto com os Estado Unidos e a Espanha, o grupo de amigos “para resolver as ‘pendengas’ da Venezuela com a Colômbia”.

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