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Polícia

Rede de exploração sexual de adolescentes no RJ envolve dois assessores ligados ao PSOL

Dois assessores ligados a gabinetes do PSOL estão entre os investigados; polícia apura chantagens.

Redação Pedra Azul News

29/10/2026 - 00:00:00 | Atualizada em 29/10/2026 - 13:00:44

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Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou uma rede suspeita de submeter adolescentes a violência sexual, tortura, ameaças e chantagem mediante a produção de vídeos dos abusos. Entre os investigados estão dois homens que atuavam em gabinetes de parlamentares do PSOL: um ex-assessor do vereador Professor Túlio, de Niterói, e o então chefe de gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ).

A gravidade dos fatos investigados levou à realização da Operação NXIVM, na quarta-feira (28), com diligências em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Segundo a Folha de S.Paulo, foram expedidos dez mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. Oito ordens de prisão foram cumpridas, incluindo uma contra um investigado que já estava preso.

As suspeitas envolvem crimes de extrema gravidade contra adolescentes, com utilização de registros de violência para ameaçar as vítimas e submetê-las a novos abusos.

A investigação também levanta questionamentos sobre os vínculos profissionais entre dois dos suspeitos e gabinetes parlamentares de um partido que tem a defesa dos direitos das mulheres entre suas principais bandeiras públicas.

Até a apuração desta quinta-feira (29), entretanto, não foram divulgadas provas de participação ou conhecimento prévio dos crimes por parte dos parlamentares responsáveis pelos gabinetes.

Como funcionava a rede investigada pela polícia?

De acordo com a Veja, as investigações tiveram início em julho, após a denúncia de violência sexual contra uma adolescente de 16 anos em Niterói.

A jovem procurou a polícia acompanhada dos pais. A partir do relato, os investigadores chegaram a um suspeito e apreenderam equipamentos eletrônicos que permitiram ampliar a investigação.

Segundo a Polícia Civil, o grupo produzia registros de violência sexual e utilizava as imagens para ameaçar as adolescentes com a divulgação do material.

O objetivo das chantagens, conforme a investigação, seria manter as vítimas sob controle e submetê-las a outras situações de violência.

Os investigadores relataram que integrantes da rede se apresentavam como “senhores” e se referiam às adolescentes como “escravas”, indicando uma dinâmica de dominação, humilhação e coerção.

A CNN Brasil informou que a operação investiga suspeitas de estupros coletivos, tortura e produção de registros de exploração sexual.

A utilização de ameaças para obrigar vítimas a permanecer sob controle dos agressores é um dos aspectos mais graves descritos pela polícia.

A investigação ainda busca identificar outras possíveis vítimas e determinar a responsabilidade individual dos suspeitos.

Primeiro assessor foi preso em julho e exonerado do gabinete

O primeiro investigado com vínculo parlamentar identificado no caso foi Matheus Rodrigues Gonçalves, de 36 anos, que trabalhava no gabinete do vereador Professor Túlio, do PSOL, em Niterói.

Matheus foi preso em 30 de julho, durante a investigação sobre o estupro de uma adolescente de 16 anos.

Segundo reportagem do Metrópoles, publicada em 31 de julho, o vereador anunciou sua exoneração imediatamente após tomar conhecimento da prisão.

Na ocasião, a direção municipal do PSOL também informou que havia iniciado procedimentos para excluir o assessor dos quadros partidários.

A investigação prosseguiu com a análise de celulares, computadores e imagens de câmeras de segurança.

Esses materiais contribuíram para identificar outros suspeitos e levaram à operação realizada em outubro.

Chefe de gabinete de Talíria Petrone foi preso em outubro

O segundo nome diretamente associado a um gabinete do PSOL é Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, de 45 anos, então chefe de gabinete da deputada federal Talíria Petrone.

Ele foi preso durante a Operação NXIVM, em 28 de outubro.

Conforme reportagem do Metrópoles publicada nesta quinta-feira (29), Carlos Alberto trabalhava com a parlamentar desde 2019.

O assessor recebia aproximadamente R$ 18,2 mil mensais e, entre suas atribuições, representava a deputada em reuniões da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados.

De acordo com o delegado Antônio Silvino, citado pela imprensa regional, o investigado é suspeito de solicitar registros dos abusos ao outro assessor envolvido no caso.

A relação entre os dois é um dos elementos examinados pelos investigadores.

O fato de Carlos Alberto ocupar uma função de confiança e proximidade política torna pertinente esclarecer os procedimentos de supervisão e a resposta institucional do gabinete, embora não prove conhecimento dos crimes pela deputada.

O que disse Talíria Petrone?

Após a prisão de Carlos Alberto, Talíria Petrone informou ter sido surpreendida pela investigação e determinado a exoneração do assessor.

Em nota reproduzida pelo Metrópoles, a parlamentar manifestou solidariedade à vítima e à família e reafirmou sua atuação na defesa dos direitos das mulheres.

A deputada também defendeu a apuração rigorosa e independente dos fatos, respeitando o devido processo legal.

Sua manifestação estabelece a posição pública do gabinete, mas não encerra todos os questionamentos sobre o caso.

Considerando que o investigado ocupava a chefia de gabinete e trabalhava com a parlamentar havia aproximadamente sete anos, é relevante esclarecer se existiram alertas anteriores, denúncias internas ou informações que pudessem ter chegado ao conhecimento da equipe.

Até o momento, não há prova pública de que a deputada tenha recebido alertas ou soubesse das condutas investigadas.

A ausência dessa comprovação exige que a questão permaneça como objeto de esclarecimento, e não como acusação contra a parlamentar.

Vereador Professor Túlio também se manifestou

O vereador Professor Túlio declarou que Matheus Rodrigues Gonçalves deixou o gabinete assim que a equipe tomou conhecimento do ocorrido, em julho.

Segundo reportagem do Cidade de Niterói, o parlamentar afirmou que o ex-assessor não integrava mais seu mandato desde aquele mês.

O vereador manifestou solidariedade às vítimas e defendeu a investigação e a responsabilização dos envolvidos.

Os posicionamentos dos dois parlamentares indicam a adoção de medidas de exoneração após as respectivas prisões.

Entretanto, a divulgação dessas providências não substitui o esclarecimento sobre as relações mantidas entre os investigados, a duração dos vínculos profissionais e os eventuais mecanismos de prevenção e apuração de denúncias nos gabinetes.

Policial militar também aparece entre os investigados

A Operação NXIVM não se restringiu aos dois assessores parlamentares.

Entre os presos está o terceiro-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos.

De acordo com reportagem de O Dia, o policial está entre os investigados pela participação no esquema.

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar participou das diligências, e a corporação informou que acompanha os desdobramentos para avaliar eventuais medidas administrativas e disciplinares.

A presença de um policial militar entre os suspeitos amplia a necessidade de esclarecer se houve utilização da função pública para facilitar, encobrir ou proteger alguma atividade criminosa.

Até o momento, essa hipótese não foi demonstrada pelas informações públicas consultadas.

O caso revela uma contradição entre discurso político e conduta dos investigados?

A defesa dos direitos das mulheres, das crianças e dos adolescentes integra a atuação política de representantes do PSOL.

Talíria Petrone, por exemplo, ocupa função relacionada à defesa dos direitos das mulheres na Câmara dos Deputados, conforme seu perfil institucional.

A presença de dois assessores ligados a gabinetes do partido em uma investigação sobre violência sexual contra adolescentes produz uma contradição pública que merece esclarecimento.

Isso ocorre porque os crimes investigados atingem justamente pessoas cuja proteção é frequentemente defendida nos discursos e propostas parlamentares.

Entretanto, a conduta individual de assessores não pode ser automaticamente atribuída aos parlamentares ou ao partido.

Para demonstrar responsabilidade de superiores, seria necessário identificar participação, colaboração, encobrimento ou conhecimento relevante acompanhado de condutas juridicamente imputáveis.

Nenhuma dessas circunstâncias foi confirmada publicamente em relação a Talíria Petrone ou ao vereador Professor Túlio.

A cobrança de transparência, por sua vez, permanece legítima e pode incluir informações sobre vínculos profissionais, procedimentos de exoneração e providências institucionais.

Existem outros casos semelhantes envolvendo integrantes do PSOL?

A pesquisa complementar procurou identificar outros episódios documentados envolvendo pessoas ligadas ao partido e investigações por violência sexual.

Os dois assessores identificados nesta reportagem, embora presos em momentos distintos, aparecem na mesma investigação criminal.

Não seria correto apresentar suas prisões como dois casos independentes para sugerir a existência de uma sequência comprovada de escândalos semelhantes no partido.

Também não foi possível confirmar, nas fontes consultadas, uma relação adicional de casos independentes com documentação suficiente para sustentar afirmações sobre a frequência desse tipo de ocorrência entre integrantes do PSOL.

Isso não impede novas investigações jornalísticas sobre denúncias concretas, mas exige que cada episódio seja analisado separadamente, com identificação dos envolvidos, das provas e da situação processual.

O que ainda precisa ser esclarecido?

A investigação policial prossegue e deverá responder a questões importantes:

1. Responsabilidade de cada investigado: quais provas demonstram a participação individual dos suspeitos nos episódios de violência e na produção ou circulação dos registros?

2. Relação entre os assessores: qual era a extensão do contato entre Matheus e Carlos Alberto, e quais elementos vinculam ambos às atividades investigadas?

3. Conhecimento e providências institucionais: existiram denúncias ou alertas anteriores? Os gabinetes receberam alguma informação antes das prisões? Quais procedimentos foram adotados para apurar possíveis irregularidades?

Essas perguntas dependem de documentos, depoimentos e eventuais manifestações oficiais. Não podem ser respondidas apenas com base na proximidade profissional ou partidária dos investigados.

Proteção das vítimas deve permanecer no centro do caso

A Polícia Civil continua examinando equipamentos apreendidos e procurando identificar outras adolescentes que possam ter sido vítimas da rede.

A divulgação de imagens, vídeos ou informações que permitam reconhecer as vítimas deve ser evitada, inclusive nas redes sociais.

Suspeitas de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser comunicadas pelo Disque 100. Em situações de risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.

A responsabilização pelos crimes, caso comprovados, deve alcançar todos os participantes, independentemente de profissão, cargo público ou vinculação partidária.

A investigação também deverá esclarecer a atuação dos envolvidos e eventuais responsabilidades adicionais, preservando as adolescentes de nova exposição à violência.

Fontes: Folha de S.Paulo · Veja · CNN Brasil · Metrópoles · Cidade de Niterói · O Dia · Câmara dos Deputados

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