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Venda Nova do Imigrante

Bernadete Lorenção, de Venda Nova, está entre as 100 mulheres poderosas do agro da Forbes

Reconhecimento destaca o Sítio Lorenção, a produção de socol e o agroturismo da Região Serrana.

Redação Pedra Azul News

29/10/2026 - 00:00:00 | Atualizada em 28/10/2026 - 20:25:00

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A empreendedora Bernadete Lorenção, conhecida como Dete Lorenção, de 68 anos, colocou Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana do Espírito Santo, em destaque nacional ao integrar a lista As 100 Mulheres Poderosas do Agro 2026, divulgada pela revista Forbes Brasil. O reconhecimento valoriza sua trajetória na produção artesanal do socol, na preservação das tradições italianas e no desenvolvimento do agroturismo capixaba.

A seleção foi publicada em 15 de outubro, Dia Internacional da Mulher Rural, e reúne mulheres que se destacam em diferentes atividades do agronegócio brasileiro.

Na apresentação de Bernadete, a Forbes Brasil destaca como a empreendedora ajudou a transformar uma atividade familiar em oportunidade econômica, abrindo as portas do Sítio Lorenção aos visitantes e contribuindo para projetar a cultura rural de Venda Nova do Imigrante.

A indicação é especialmente significativa para o município, conhecido como Capital Nacional do Agroturismo, onde a produção agrícola, a gastronomia e as tradições dos descendentes de imigrantes italianos se tornaram importantes atividades econômicas e atrações turísticas.

Da costura ao agroturismo: a trajetória de Dete Lorenção

A história da empreendedora começou muito antes do reconhecimento nacional.

Costureira de vestidos de noiva, Bernadete encontrou na propriedade da família uma oportunidade de ampliar suas atividades profissionais quando Venda Nova do Imigrante começou a receber visitantes interessados em conhecer a vida no campo, durante a década de 1990.

Naquele período, ela assumiu a linha de frente do atendimento aos turistas no Sítio Lorenção, conciliando as atividades rurais com a produção artesanal de alimentos.

O socol, uma especialidade de origem italiana preparada com lombo suíno temperado e curado, tornou-se o principal produto do empreendimento.

A receita foi transmitida à família por Cacilda Caliman, sogra de Bernadete, hoje com 89 anos.

Em entrevista à Conexão Safra, publicada em 16 de outubro, Dete contou que o marido chegou a considerar a possibilidade de escolher entre continuar na atividade rural ou investir na produção do embutido.

A família decidiu manter as duas atividades e passou a receber turistas interessados em conhecer os produtos e a história da propriedade.

O crescimento do movimento turístico levou Bernadete a dedicar cada vez mais tempo ao atendimento dos visitantes.

Capacitação ajudou a transformar tradição em negócio

A consolidação do empreendimento exigiu conhecimentos que iam além da produção artesanal.

Bernadete participou de cursos oferecidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e de feiras realizadas dentro e fora do Espírito Santo.

Segundo a empreendedora, essas experiências foram importantes para aprender a apresentar seus produtos, valorizar a história familiar e estabelecer uma relação com os consumidores.

O reconhecimento da Forbes considera justamente essa capacidade de associar tradição, empreendedorismo e geração de oportunidades no meio rural.

Ao longo dos anos, o Sítio Lorenção ampliou sua produção e passou a oferecer diferentes especialidades artesanais.

Além do socol, a propriedade produz culatello, antepastos, geleias e limoncello.

O empreendimento também mantém a participação familiar. Atualmente, os filhos Graccielli e Bernardo dividem com Bernadete as atividades de produção.

Essa continuidade entre gerações é um dos aspectos destacados pela Forbes ao apresentar a trajetória da família.

Socol conquistou reconhecimento de origem em 2018

A história de Bernadete está ligada a um dos produtos mais conhecidos da gastronomia de Venda Nova do Imigrante.

O socol representa uma tradição preservada pelos descendentes de imigrantes italianos que se estabeleceram nas montanhas capixabas.

A produção artesanal passou a integrar não apenas a alimentação familiar, mas também a identidade econômica e cultural do município.

Em junho de 2018, o produto conquistou o registro de Indicação de Procedência junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O reconhecimento identifica Venda Nova do Imigrante como território de origem do socol e estabelece uma ligação entre o produto, sua história e os produtores locais.

A Câmara Municipal de Venda Nova do Imigrante informa que a solicitação foi apresentada em 2014 e aprovada em 2018.

Posteriormente, o município avançou na valorização turística do produto com a criação da Rota do Socol, iniciativa voltada à integração de empreendimentos que preservam essa tradição.

O Sítio Lorenção está entre os estabelecimentos integrantes do roteiro.

Agroturismo transformou a economia e a identidade de Venda Nova

A trajetória de Bernadete também representa uma mudança importante na relação entre agricultura e turismo no município.

A partir da década de 1990, propriedades familiares começaram a receber visitantes interessados em conhecer o cotidiano rural, experimentar produtos artesanais e adquirir alimentos diretamente dos produtores.

Esse modelo permitiu ampliar as fontes de renda no campo, associando a produção agrícola à prestação de serviços turísticos.

Em reportagem publicada em junho de 2025, A Gazeta destacou a tradição do socol e a participação da família Lorenção na preservação da receita ao longo das gerações.

A atividade também fortaleceu a imagem de Venda Nova do Imigrante como destino gastronômico e cultural.

O reconhecimento de Bernadete pela Forbes amplia a visibilidade de um modelo de empreendedorismo baseado em propriedades familiares, valorização dos produtos regionais e atendimento direto aos visitantes.

Empreendedora celebra reconhecimento e incentivo a outras mulheres

A inclusão na lista nacional foi recebida com entusiasmo por Bernadete.

Em declaração à Conexão Safra, ela afirmou estar feliz tanto pela homenagem quanto pela oportunidade de incentivar outras mulheres a empreender.

A produtora destacou que o reconhecimento também contribui para tornar o trabalho da família conhecido por um público maior.

A entrevista reforça o significado da escolha para uma empreendedora que começou a receber turistas quando o agroturismo ainda estava em fase de desenvolvimento no município.

O trabalho de Bernadete também foi destacado em reportagem da ES Brasil, publicada em 26 de outubro.

A revista ressaltou a importância do Sítio Lorenção para a preservação da gastronomia local e apontou a empreendedora como a única homenageada com atuação no Espírito Santo na seleção de 2026.

Como funciona a lista das mulheres poderosas do agro?

A seleção publicada em outubro marca a segunda edição da iniciativa da Forbes, lançada originalmente em 2021.

A proposta é reconhecer trajetórias femininas em diferentes áreas da atividade agropecuária, incluindo produção rural, pesquisa, tecnologia, gestão empresarial e liderança institucional.

Na edição de 2026, a revista considera três aspectos principais:

  • Poder: capacidade de tomar decisões sobre negócios, investimentos, recursos e pessoas.
  • Impacto: resultados produzidos pela atuação profissional, como transformação de atividades econômicas e desenvolvimento de novas oportunidades.
  • Influência: capacidade de mobilizar pessoas, transmitir conhecimentos e contribuir para mudanças em diferentes setores.

Embora Bernadete apareça como o 18º nome na publicação, a Forbes esclarece que a ordem da relação não representa uma classificação de desempenho. A relação é organizada essencialmente em ordem alfabética.

A presença de uma empreendedora do agroturismo entre produtoras, executivas, pesquisadoras e dirigentes de organizações nacionais demonstra a diversidade das atividades contempladas pela seleção.

Por que o reconhecimento é importante para a Região Serrana?

A inclusão de Bernadete Lorenção na lista da Forbes traz visibilidade a três características da economia rural capixaba.

1. Valorização dos produtos tradicionais: a preservação de receitas familiares, como o socol, fortalece a identidade gastronômica e amplia as oportunidades de comercialização.

2. Turismo como fonte de renda: a abertura das propriedades aos visitantes permite combinar atividades agrícolas com experiências culturais, atendimento turístico e venda direta de produtos.

3. Participação feminina no empreendedorismo: a trajetória de Dete demonstra como mulheres podem assumir funções de liderança, gestão comercial e transmissão de conhecimentos dentro dos negócios familiares.

A homenagem ocorre em um momento no qual Venda Nova do Imigrante continua fortalecendo sua presença como destino de agroturismo e gastronomia nas montanhas do Espírito Santo.

Para Bernadete, a distinção representa o reconhecimento de décadas de trabalho. Para o município, reforça a projeção nacional de uma tradição que une produção artesanal, história familiar e desenvolvimento rural.

Fontes: Forbes Brasil · Conexão Safra · Câmara de Venda Nova · A Gazeta · ES Brasil

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